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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O GARFO E A MORTE

O anúncio da chegada de Marta sempre trazia um sorriso para o rosto do Pastor Jim. Ela era uma das mais antigas e piedosas irmãs. Tia Martie, como todas as crianças a chamavam, parecia espalhar fé, esperança e amor onde quer que fosse.
Mas, dessa vez, havia algo diferente em sua expressão. Com o rosto sério, ela lhe contou que o médico acabara de diagnosticar nela um câncer em estágio avançado.

-"Ele disse que eu tenho, na melhor das hipóteses, três meses de vida." As palavras de Marta eram graves, embora ela estivesse bastante calma.

-"Eu lamento muito...", Pastor Jim começou a dizer, mas, antes que ele terminasse a frase, Marta o interrompeu:

-"Não lamente. Deus tem sido bom comigo. Tive uma vida longa e feliz e estou pronta para ir. O senhor sabe disso.”

-"Eu sei", murmurou o Pastor, mexendo com a cabeça.

- “Mas o que eu desejo mesmo é falar com o senhor sobre meu funeral. Tenho pensado nisso e há coisas que eu vou querer.”

Os dois conversaram por um bom tempo. Falaram sobre os cânticos preferidos de Marta, suas passagens da Bíblia preferidas e as muitas lembranças que dividiram nos cinco anos em que o Pastor Jim esteve na Igreja.
Quando parecia que tinham abordado todos os aspectos, tia Marta parou, olhou para o Pastor com um brilho nos olhos e acrescentou:

-"Há mais uma coisa. Quando me enterrarem, quero minha velha Bíblia na mão e um garfo em outra.”

-"Um garfo?" o pedido surpreendeu o Pastor Jim: -"Por que a senhora quer ser enterrada com um garfo?”

-"Estive pensando em todos os jantares e banquetes da igreja a que compareci ao longo dos anos", ela explicou.

Uma coisa tinha sempre chamado a sua atenção. Em todas aquelas reuniões tão agradáveis, quando a refeição estava quase no final, uma empregada vinha recolher o prato sujo.

-"Posso até ouvir as palavras agora. Alguém se inclinava sobre o meu ombro e dizia baixinho: 'Pode ficar com seu garfo.” E o senhor sabe o que isso queria dizer? Que a sobremesa estava vindo!"E não se tratava de um pote de gelatina, um pudim ou uma taça de sorvete, porque nada disso se come com um garfo. Significava que era algo realmente gostoso, um bolo de chocolate ou uma torta de cereja!” "Quando me diziam que eu podia ficar com meu garfo, eu sabia que o melhor ia chegar. É exatamente sobre isso que quero que as pessoas falem no meu funeral. Elas podem lembrar todos os bons momentos que tivemos. Isso será ótimo. Mas, quando passarem pelo meu caixão e me virem no meu lindo vestido azul, quero que se espantem e perguntem:
- 'Para que o garfo?' “E é isso que eu quero que o senhor lhes diga: que eu fiquei com o garfo porque o melhor ainda vai chegar.”

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